PACorrea

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Crônica TRAQUINAGEM - Pedro A. Correa

Certo dia eu despertei com aquele zumbido bem perto dos meus ouvidos. A janela estava fechada, mas eu vi pelos vãos das telhas que já era dia claro. Olhei e reconheci no lusco-fusco do quarto que era um marimbondo daqueles pretos, a que nós em casa chamávamos de papa-peixe. O danado, entrando por uma das muitas frestas, foi fazer sua casoca de barro bem ali, aproveitando, por questão de economia, a junta mais ou menos profunda entre dois tijolos.
O caso aguçou minha curiosidade, e eu me pus a observá-lo. O bichinho trabalhou, trabalhou, “Zum um, zum um, zum um”, fazia ele alisando o barro lá por dentro de sua construção. De repente ele saiu, levantou voo e sumiu por onde tinha entrado. Mas não demorou muito não. Sinal de que o depósito de sua matéria-prima não ficava muito longe.Voltou com nova bolinha de barro nas patinhas e enfiou-se lá pra dentro de novo.
 De repente me veio uma ideia. Quando iniciou o zumbido novamente, eu me sentei na cama e tapei seu canteiro de obras com a mãozinha espalmada sobre o vão e fiquei esperando.
Pra quê! O bichinho veio cego e, zás! fincou-me uma ferroada daquelas, que me fez botar a boca no mundo.
— Bem feito! Quem te mandô mexê...? — ralhou minha irmã, que veio correndo pra ver o que tinha acontecido, enquanto o Paulo, que eu acordei com meus berros, ria a mais não poder da minha desgraça.

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