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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

FILHOS DE TUPÃ - Pedro Correa

                FILHOS DE TUPÃ

                           CANTO I

Ó virgens guerreiras, gentis Amazonas,
Que as matas, velozes, correis às centenas,
Freai vossos bravos corcéis para ouvir
O canto dorido que o peito extravasa
De um filho das selvas, de heróis gentes bravas
Que outrora, indomados, reinavam aqui!

Cadê as florestas de mil esplendores,
De frescos recantos e amenos odores,
Com seus Curupiras, Sacis e Caiporas,
Com suas cavernas e límpidas fontes,
Moradas de espíritos bons e valentes
Dos velhos caciques guerreiros de outrora?

Que é feito das "tabas de amenos verdores,
Cercadas de troncos, cobertas de flores"
Que um dia o poeta indianista cantou?
Dizei-me, Tupã, onde estão os guerreiros!
Embalde procuro encontrar os terreiros
Das tabas. Não sei que mau fado os levou.

Será que outras terras buscaram afoitos
À caça de glórias na guerra e outros feitos
Que a sanha em seus sangues de bravos reclama?
Dos brancos, quem sabe, os costumes seguiram,
Deixando suas tabas a eles se uniram,
Ombreando com eles nas lides que irmanam?



Que vejo, Tupã, que horrenda miragem!
Meus olhos não mentem; reais vejo imagens
Que o ser me horripilam, congelam-me as veias:
Esquálidas formas de humanas figuras
De todas idades, famintas criaturas,
Que mais se assemelham a errantes caveiras

Quem são estes pobres em tal desventura?
Que crime hediondo pra sorte tão dura,
Que a morte demora em findar o sofrer?
Que estranha moléstia os detém isolados
Tão longe de ajuda em redis confinados
Somente onde possam quais párias morrer?

Oh, não, é mentira, meus olhos se iludem!
Terrível presságio em minha alma se acende.
Mas vejo sua tez... as feições não desmentem
Que o sangue sagrado em suas veias percorre.
São filhos dos bravos na caça e na guerra,
Que agora má sorte maltrata indolentes.

Dizei, que mal-feito, que horrível quebranto...
Será que de Iara o pérfido canto
Soou pelas tabas das tribos inteiras,
Tornando indefesos os braços valentes,
Que agora, acuados, se atêm impotentes,
Sujeitos às nesgas minguadas de terras?

Vejam final em: www.recantodasletras.com.br/poesias/3427288

Um comentário:

  1. ...agora acuada me atenho impotente!!!
    é meu riso querendo chegar a seu coração de poeta... Obrigada amigo, pelo carinho.
    Lindo poema.

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